Ontem, Sábado, foi o último dia do espectáculo. Fizemos a sessão normal às 22h e também uma à tarde onde formei um grupo de conhecidos. Curioso que os conhecidos, talvez por me conhecerem mas não se conhecerem, tornaram-se num grupo mais distante e tímido. Foi mais frequente ver um público à vontade quando as sessões eram entre pessoas que se conheciam ou então à noite. Falo em sentarem-se no chão e numa postua mais relaxada.
O espaço fala por si. Sessão da tarde:

Sessão da noite:









1 comentários:
Fui uma das espectadoras (ou actriz?) da tarde e senti essa timidez a invadir-me, condicionada por tudo o que trago de anos, de vidas, de vivências.
Cd2 - Ambientei-me ao cenário, sorri e descontraí um pouco. Nunca me tinha apercebido desses sentimentos/sensações que surgem na envolvência de uma galeria de arte.
Cd1 - o cd que controla a imagem. Atribui-lhe vários significados e dá-nos alguma liberdade de escolha. Faz-nos pensar, concentrar. Orienta-nos. Entrei nas tramas das fotografias encenadas. Houve mensagens a passar que se atropelaram com as minhas. Tive que manter a calma, porque me apetecia dizer que não era bem assim, talvez aquela personagem fosse outra personagem e não aquela que me diziam que podia ser. Agarrei alguns sentidos e perdi-me na 8 de tanto imaginar! A da vergonha fez-me criar uma narrativa, quem sabe? E dei de caras com o vigilante, sem me aperceber que pedia silêncio, na parede que mais me transtornou. O vigilante está de vigia? Está presente ou ausente? Se é actor, finge. Impõe a regra do silêncio, a rigidez, precisamente naquela parede branca onde um espelho me volta a intimidar e um biombo com fendas me soa a voyeurismo. O melhor seria fugir, porque há mesmo quem nos controle e seja espectador dos nossos actos. Ao ver as fotografias aqui expostas apercebo-me o quão semelhantes são às fotografias expostas.
Cd3 - Esqueci-me (pouco) que estava a ser vigiada. Se fosse livre, se não carregasse comigo a carga da vergonha e do "parece mal/descabido", ter-me-ia deitado num banco, dançado ou anotado frases no moleskine que anda sempre comigo.
No fim, compreendi o significado da luva estrategicamente colocada no chão. Será que compreendi? E não, não foi o fim da peça para uma galeria. Toda a experiência de minutos (1 hora?) continua a fervilhar à espera de outras ideias e significados, talvez, acções.
Obrigada André, nunca me tinha cruzado com tal caminho! Desculpa a verborreia...
Sónia (music)
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