domingo, 22 de Junho de 2008

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As verdadeiras estrelas do espectáculo: o público.
Imagino o que seja multiplicar os meus 3 pontos de vista sobre o número de visitantes e juntar as suas maneiras de ver, ouvir e interpretar. O resultado é sempre infinito e a peça continuará, por isso, sem título.





















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Cá fora, na "bilheteira" recebia-se um dos 3 audio-guias. Era preciso ouvir cada um deles pela ordem que o espectador quisesse.
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Era um dos momentos - e um dos objectos - mais engraçados e recebido sempre com entusiasmo pelos espectadores. Algures na sala, perto dos bancos, uma luva branca estava no chão. Como que esquecida. Havia quem nunca desse por ela, quem só reparasse quando se falava no assunto num dos CDs ou quem pensasse que estava mesmo esquecida - tarefa inglória pois ao chegar lá a luva não saía do lugar.

Certo é que a determinada altura do CD3, o Marcello Urgeghe lê um texto que escrevi e que descreve uma cena de um filme onde uma mulher perde uma luva branca num museu.

A cena em escuta é do Vestida Para Matar e surgia com a música do Vertigo (visto que o Brian de Palma refaz a cena do filme de Hitchcock.)

Eu tinha avisado...
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Lá dentro, uma das obras do artista. Temporariamente cedida.
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Nas paredes.





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Espaço sem público.



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A imagem mostra o último espectador do último espectáculo, no último dia. Entrou mais tarde. Acabou a sua visita eram quase 23h30. Eu estava na sala a tirar fotos, discretamente. Quando ele saiu da sala eu assobiei para o Yann e rimos os dois. Tinha acabado.
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Durante o espectáculo, o público podia circular com os audio-guias e ver os quadros expostos. Assim acontecia com o CD1. Com os CD2 e CD3, os visitantes/espectadores sentavam-se nos três bancos. Uns acabavam por se deitar ou ir para os cantos do espaço, consoante a frequência.


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Enquanto não aparece, o Yann Gibert está escondido. Numa dessas vezes pegou no telemóvel e filmou o público dentro do espaço da galeria, através de um reflexo.
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Yann Gibert, o nosso vigilante. Aparecia e desaparecia. De olhos fechados, em êxtase. Silêncio, por favor.


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Self-portrait before performance

Self-portrait during performance

Self-portrait after performance
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Se for uma inauguração, reparo nos sapatos de toda a gente.
É curiosa a quantidade de sapatos diferentes que se podem encontrar numa inauguração.
Ora experimentem olhar para os sapatos de que está neste momento convosco na sala: saltos altos, pretos, azuis-escuros, sabrinas, mais sabrinas, ténis variados, uma ou outra sandália, sapato à homem brilhantemente engraxado, um ou outro com a marca visível.
O mundo do calçado está todo aqui.
Até me esqueço do resto.

(do texto do espectáculo Untitled - uma peça para galeria, de André Murraças, dito por Anabela Brígida)
Sapatos do último dia:


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Público preferido: infantil.
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Ontem, Sábado, foi o último dia do espectáculo. Fizemos a sessão normal às 22h e também uma à tarde onde formei um grupo de conhecidos. Curioso que os conhecidos, talvez por me conhecerem mas não se conhecerem, tornaram-se num grupo mais distante e tímido. Foi mais frequente ver um público à vontade quando as sessões eram entre pessoas que se conheciam ou então à noite. Falo em sentarem-se no chão e numa postua mais relaxada.
O espaço fala por si. Sessão da tarde:

Sessão da noite:

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More copycat artists:

João

Rui
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Ver um espectáculo e... namorar:
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Público blogger:
Susana Mendes Silva

Choose a Royal

sábado, 21 de Junho de 2008

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Ontem à noite, na sessão das 24 horas, os espectadores eram vencedores de um passatempo que a Radar fez. Calminhos e apreciando a seu tempo o espectáculo, chamou-me a atenção o rapaz que a certa altura pegou no seu audioguide e se encostou a um canto de costas viradas, olhando a parede. Isolamento total ou timidez?
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Este é o Yann Gibert. Entra no espectáculo. É a nossa estrela porque o público nunca percebe como ele entra e sai da sala. Aqui foi apanhado num intervalo, fora de personagem, e ouvindo o espectáculo que habitualmente escuta todas as noites ao longe e nos ouvidos dos outros.
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Comentários ao espectáculo que nunca esperei ouvir:
- A tua voz está muito bem (referindo-se à voz de Eládio Clímaco)
- O Marcello (Urgeghe) tem a voz parecida com a tua.
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Público favorito: espectadores que demoram mais tempo do que o previsto com os audioguides e se sentam no chão para apreciar e gerir o espectáculo como melhor lhes souber. Repetem faixas, fecham os olhos, relaxam, imitam o performer Yann Gibert e ficam muito além dos 45 minutos de duração.


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Ontem, aventurei-me a entrar na galeria durante o espectáculo. Estava muito cheio e eu entrei discretamente mas, ao contrário de todos os presentes, sem nenhum audioguide do espectáculo. Sentei-me num dos bancos com a ideia de ver como a coisa funciona lá de dentro. De repente, estava tudo a olhar para mim. Talvez à espera que eu começasse a fazer alguma coisa. A situação tornou-se desconfortável com tantos olhos em cima de mim. Houve quem parasse o que estava a ouvir. As pessoas afastaram-se em círculo à espera da minha intervenção. Estava rodeado de curiosos. Tive de sair da sala. Ia sendo devorado. Para voltar a entrar só com um audioguide. Caso contrário era entrar na boca do lobo.
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Vista do interior.


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Ontem, na sessão das 22h, uma espectadora entrou na sala, depois de lá estar acompanhada dos audioguides que fazem o espectáculo. Sentou-se no chão e ficou a olhar para os outros espectadores e a ouvir o ruído dos diskmans alheios durante um tempo. Uma outra maneira de olhar e ouvir, claro.

quinta-feira, 19 de Junho de 2008

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Portugal perdeu.
Sessão das 22 horas bem composta.
Há vida para além do futebol.
fotógrafos de quem eu gosto #29 - hedi slimane




Banalidades rock´n´roll a preto e branco.
Mais AQUI.
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Há pouco, sessão das 22h com público muito misto. Anónimos e conhecidos juntaram-se a um pequeno grupo pré-convidado de galeristas, coleccionadores e artistas. A fatia das artes plásticas dividiu-se. Desde a arrogância do "já percebi, não quero mais", ao habitual "onde é o bar aberto", até aos inesperadamente interessados.
Muito, muito interessados e muito interessantes.
(Houve também alunos do ISPA. Como vêem e ouvem os nossos futuros psicólogos?)
Em geral, as pessoas estão a aderir bem à proposta. Não se trata de gostar ou não. O espectáculo pede alguma disponibilidade, é certo. Mas quem entra no jogo, cede. Viaja e transforma-se. Sentado no banco, ou em pé. Em qualquer lugar na sala. É indiferente.
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Quando estou na Appleton Square durante os espectáculos, costumo andar a cirandar pelo escritório colado à sala.

De vez em quando espreito para o local onde decorre o espectáculo e reparo no movimento das pessoas, na reacção às imagens e ao que ouvem. É uma dinâmica imensa e, como o espectáculo, sempre diferente.

quarta-feira, 18 de Junho de 2008

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Público preferido: velhotas entusiasmadas.
fotógrafos de quem eu gosto #28 - the sartorialist
As pessoas como definição de uma cidade. Ou as cidades pelas pessoas que lá vivem.


Mais aqui.

terça-feira, 17 de Junho de 2008

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Copycat Artists

Helena

Bruno

segunda-feira, 16 de Junho de 2008

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A estreia correu bem. Boa corrente de gente diversificada. Muita surpresa com o objecto artístico final. Os actores que deram as vozes Marcello, Anabela e Eládio lá estavam e também apreciaram o resultado. Feedback positivo ao trabalho de som, aos meus textos, ao "vigilante", aos pormenores dentro do espaço onde decorre o espectáculo.
E mais não posso revelar. Só visto e ouvido.
Até Sábado, dia 21, lá estaremos. Todos.
fotógrafos de quem eu gosto #27 - nathan baker


Mais aqui.

sábado, 14 de Junho de 2008

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Montagem em dia de estreia.





Vêmo-nos daqui a pouco na estreia.

sexta-feira, 13 de Junho de 2008

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Até certo ponto fico contente com alguma confusão que o espectáculo tem suscitado. Ontem perguntaram-me se a minha "peça" ia estar à venda.
Não é uma "peça" de arte. É uma "peça" de teatro.
Depois há questão da estreia, com pessoas a chamarem-lhe inauguração. Ainda hoje me perguntaram se a minha exposição vai ter um catálogo. Não é uma exposição, é um espectáculo. Terá portanto um programa de sala. E será uma estreia, porque é um espectáculo. Uma performance que acontece sempre às 22 horas, de 14 a 21 de Junho, e tem algumas sessões extra para grupos.
Mas o espectáculo vive um bocado dessa mistura, dessa confusão.
Quando o Richard Foreman pensou neste projecto do The Bridge Project, fê-lo de forma aberta e híbrida. Sem um formato final ou definição específica.
Confusos? Ainda bem.
(Na imagem, a actual e quase imperceptível peça da Susana Mendes Silva, na Appleton Square, que está patente até um dia antes da minha peça entrar. A Susana sim, é artista plástica. Eu faço teatro.)

quarta-feira, 11 de Junho de 2008

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Não é vaidade, mas estou mesmo contente com o flyer do espectáculo que vira cartaz e folha de sala com muita coisa para ler. Já andam por aí.



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O nosso performer Yann Gibert em prova de figurinos. Fato incompleto. Algumas dúvidas quanto a acessórios. Coisas por resolver rapidamente.
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Á noite dediquei-me a fazer pequenas coisas da cenografia (quase imperceptível) do espectáculo. É curioso como o espaço normal de uma galeria com uma exposição possa levar tanto tratamento cenográfico: legendas nos quadros, a disposição dos mesmos, a localização dos bancos para os visitantes (aqui espectadores) se sentarem ou não, o chão, o papel autocolante a identificar a mostra, etc.
Mandei e respondi a emails de alguns dos actores que há dois anos entraram nas filmagens dos filmes do Richard Foreman e cujas imagens do espectáculo são tiradas de lá. Um dos actores pergunta-me se usei alguma imagem onde ele aparece. Disse-lhe que não. Espero que não seja razão para o rapaz não aparecer.
fotógrafos de quem eu gosto #26 - andy warhol (2)
Os auto-retratos.





domingo, 8 de Junho de 2008

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Trailer do espectáculo:
fotógrafos de quem eu gosto #25 - andy warhol


fotógrafos de quem eu gosto #24 - robert mapplethorpe

Brian Ridley and Lyle Heeter1979

Mais aqui.

sábado, 7 de Junho de 2008

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Spots de rádio a rodarem.
Flyers a circularem.
Anúncios a saírem em breve.
Som editado e finalizado.
Adereços praticamente concluídos.
Figurino quase finalizado.

quinta-feira, 5 de Junho de 2008

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Adereço de cena.
fotógrafos de quem eu gosto #23 - suzanne opton

Soldier: Jimenez-365 Days in Iraq

Soldier Deltaph: 382 days in Iraq

Morris

Claxon
Mais aqui.

quarta-feira, 4 de Junho de 2008

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Adereço de cena.


terça-feira, 3 de Junho de 2008

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Odeio gráficas! Odeio Freehands! Odeio Photoshops! Odeio links temporários! Odeio gráficas! Odeio Freehands! Odeio Photoshops! Odeio links temporários! Odeio gráficas! Odeio Freehands! Odeio Photoshops! Odeio links temporários! Odeio gráficas! Odeio Freehands! Odeio Photoshops! Odeio links temporários!


Pronto. Já passou.

domingo, 1 de Junho de 2008

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Ontem estive em gravações com os actores Anabela Brígida, Marcello Urgeghe e Eládio Clímaco. Sim, o nosso Eládio dos Jogos Sem Fronteiras. Sem revelar muito, o contributo destes três ilustres será importantíssimo para o espectáculo. Antes de fazermos as gravações (a sua participação é qualquer coisa sonora, sim), falámos e trocámos impressões sobre os idos Verões em que as noites tinham o Jeux Sans Frontières. Também fiquei bastante contente que tanto a Anabela como o Marcello tenham percebido o lado enigmático e deambulante dos textos que utilizamos no espectáculo, e os dois juntos fazem um contraste muito engraçado. Ela com uma voz mais cintilante, ele com o um tom mais sério e pensativo. Quanto ao Eládio, palavras para quê, é vintage.

sexta-feira, 30 de Maio de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #22 - diane arbus




Porque é de humanidade que se fala nestas fotos estranhas ao mais comum dos mortais.
"Most people go through life dreading they'll have a traumatic experience. Freaks were born with their trauma. They've already passed their test in life. They're aristocrats."

quinta-feira, 29 de Maio de 2008

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Este é o press que se enviou sobre o espectáculo.
Untitled – uma peça para galeria
Um espectáculo de André Murraças


Não é um espectáculo, nem uma exposição.
Untitled – uma peça para galeria é uma experiência que pode ser vivida pelo espectador, controlada por ele próprio e variável consoante as suas referências, decisões, idade, sexo e o tempo desse dia. É uma invulgar visita a uma exposição numa galeria virada do avesso e onde os sentidos do espectador são baralhados. O teatro vai à galeria?

Durante cerca de 30 minutos, os espectadores podem circular por uma sala onde estão expostas uma série de imagens retiradas de filmes realizados pelo encenador norte-americano Richard Foreman e escolhidas por André Murraças, encenador português, que concebeu a partir delas um espectáculo pensado para uma galeria. Juntamente com diferentes audio guides distribuídos à entrada, o público escolhe maneiras diferentes de interpretar o que vê. A partir daí tudo pode acontecer. A galeria transforma-se num palco. Num espectáculo que acontece na mente do espectador. Há quadros que contam histórias, silêncios que vão ser quebrados, cantores exclusivos e actores invisíveis que representam só para alguns.

Este espectáculo insere-se num projecto a longo prazo denominado The Bridge Project, da autoria do encenador Richard Foreman. Consiste em workshops de improvisações que acontecem em diversas cidades do mundo. Essas improvisações são registadas em vídeo, ficando o material disponível para ser usado depois pelos países, para dele fazerem um espectáculo, usando partes dos vídeos, textos, imagens. Ou então não. Das cidades participantes constam Lisboa, New York, Melbourne, Loughborough, Giessen, Kioto, Vienna, Zurich e Odsherred. No ano passado, Ana Tamen encenou Da Boca Para Dentro, em cena no Teatro da Politécnica. Este ano, a produtora Cassefaz deu carta branca a André Murraças, jovem criador, para usar esse material e com ele fazer um espectáculo.

É assim que surge então Untitled – uma peça para galeria. Um espectáculo que André Murraças define como imprevisível e manipulado. São momentos de contemplação que questionam a maneira como vemos a arte e os espectáculos. É um trabalho sobre o próprio acto de criar do autor e sobre a interpretação do espectador. De como as interferências exteriores são determinantes para um resultado final. Centrado não tanto no que há para ver, mas naquilo que o rodeia. Daí ser um espectáculo que questiona igualmente a ideia de teatro, de galeria, de local performativo. Brinca-se com as inaugurações e as estreias, chama-se a atenção para pormenores. E pede-se para ser apreciado em silêncio.

Entre 14 e 21 de Junho, o espectáculo pode ser visto e ouvido sempre às 22 horas. Ou então o espectador pode desfrutar este espectáculo de maneira única, juntando um grupo e marcando uma outra das sessões disponíveis às 17h, 18, 19h ou 24h. Em grupo ou sozinho, uma experiência diferente.

Concepção, Texto, Cenografia, Selecção de imagens e Montagem sonora: ANDRÉ MURRAÇAS
Vozes: ANABELA BRÍGIDA, MARCELLO URGEGHE E ELÁDIO CLÍMACO
Participação de: YANN GIBERT
Apoios: GALERIA APPLETON SQUARE, RÁDIO RADAR, RÁDIO EUROPA E HENDRICK'S

GALERIA APLLETON SQUARE, Lisboa
(Rua Acácio Paiva, nº 27 - r/c)
14 a 21 de Junho
Todos os dias às 22h00
Para grupos, sob marcação às 17h00, 18h00, 19h00 e 24h00
M/12 anos
Entrada Livre
Reservas e informações: 21 342 01 36 | 96 188 04 01
www.teatropolis.net | untitled-teatro.blogspot.com
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Textos acabadíssimos e enviados aos actores.
Gravações no sábado.
Contente com o resultado da parte escrita.
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Noite extremamente produtiva. Boa altura em que decidi fazer uma pausa à tarde, sair de casa e voltar com a cabeça arejada.
fotógrafos de quem eu gosto #20 - slava mogutin
Gosto porque gosto da vida banal. Das coisas que achamos não serem sexy o suficiente para serem fotografadas. Porque gosto da ideia de rapazes retratados no meio de uma liberdade em grupo. E porque gosto do que ameaça o formatado pelas instituições militares, sem perder a masculinidade.




Mais AQUI.

terça-feira, 27 de Maio de 2008

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Disse que sim. E ainda bem.
Fiquei muito contente por o Eládio Clímaco ter aceite entrar no espectáculo. Será a cereja no topo de um bolo que, espero, seja muito apetitoso.
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Fará parte da banda sonora do espectáculo. Cat Power com Lord Help The Poor & Needy.
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Entre as dúvidas de uma e as certezas de outra, fica este AVISO ao espectador, galerista, curador, artista, coleccionador, estudante, encenador, dramaturgo, cenógrafo, criador:


Marina Abramovic - Art must be beautiful

segunda-feira, 26 de Maio de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #19 - philip-lorca dicorcia



Da Hollywood series: The Hustlers e Pole Dancers. A tristeza dos prostitutos de subúrbio e o espectacular seco das bailarinas da barra.
Mais aqui e aqui.

quarta-feira, 21 de Maio de 2008

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Para o fim de semana:
Está naquela altura em que só preciso de continuar a trabalhar. As ideias estão lá. A concretização está quase feita. Os textos estão praticamente acabados. Apenas algumas decisões a tomar. É olhar para o espectáculo e deixá-lo falar. Perceber que o que está a mais sobressai imediatamente. Ver e deitar fora.

terça-feira, 20 de Maio de 2008

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Reunião de produção.
A imagem gráfica fez furor. A peça gráfica que os meninos do design desenvolveram servirá de flyer, programa de sala, cartaz. Falta fazer muita coisa. Amanhã, compras com a menina da produção. Adoro estes dias em que me dizem: este é mais barato, não serve? :)
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Actores, ok!

sexta-feira, 16 de Maio de 2008

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A inauguração.
Será um dos temas com que relacionarei as imagens do Foreman com os meus textos. Porque é que gostamos tanto do croquete e do vinho? Porque é que quase nunca se vêem as obras nesse dia? Porque é que esse dia é tão decisivo para o artista e a galeria? O que é que realmente importa?
(A propósito, imagens da inauguração da exposição e trabalhos de Ex Ovo Omnia, de Vasco Araújo na galeria Filomena Soares.)

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The problem with beauty is that it's like being born rich and getting poorer.
Joan Collins

quinta-feira, 15 de Maio de 2008

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Telefonei ontem aos 3 actores que entrarão no espectáculo com as suas vozes. É engraçado explicar um espectáculo por telefone. É também constrangedor. De repente, tive de expor a ideia, processo e resultado final da coisa.
Em princípio, posso contar com as vozes destes 3 magníficos actores. Mais em breve.
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Por piada, fiz uma montagem de uma imagem do Richard Foreman que não vou usar no espectáculo e coloquei-a na sala onde está em exposição o Nightwatching de Rembrandt em Amesterdão. Qualquer uma das imagens do Foreman tem, como qualquer pintura do holandês, uma história por trás. Uma ou mais. Todas elas intrigantes e cheias de pormenores.

terça-feira, 13 de Maio de 2008

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Teaser:
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Ensaios. Perguntaram-me no outro dia se eu não andava em ensaios para o espectáculo..?
E que podia postar imagens dos ensaios.
Os ensaios deste espectáculo acontecem há alguns meses em minha casa. Não é um solo, mas ensaio sozinho. Escrevo, leio alto. Rescrevo. Vejos filmes e folheio livros sobre pintura.
Na semana passada gravei a minha voz a dizer partes do texto para testar o som final.
Imagino outras vozes a lerem os textos. E público a ouvir.
Esta é uma peça caseira, sim. Feita para uma galeria. Um espectáculo de teatro dentro de uma galeria de arte.
Não há actores. (Por acaso até há um...)
Há vozes e presenças. Imagens e pistas sonoras.
O espectáculo final acontece na cabeça do espectador. Mas isso acontece sempre, certo?

domingo, 11 de Maio de 2008

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Nightwatching de Peter Greenaway.
A pose como contexto. O contexto da pose.

sexta-feira, 9 de Maio de 2008

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Tenho a produção a pedir-me materiais finais do espectáculo. Este fim de semana preciso de:
- Fechar o texto do terceiro bloco do espectáculo
- Escolher um actor e uma actriz (ou melhor, escolher duas vozes)
- Definir o actor físico, na eventualidade dele existir
- Ver com os meninos designers, estudos para a imagem do espectáculo (materiais promocionais e afins....)

quarta-feira, 7 de Maio de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #18 - tracey moffat

Useless, 1974
Her father´s nickname for her was 'useless'.

Job Hunt, 1976
After tree weeks he still couldn´t find a job. His mother said to him, 'maybe you´re not good enough'.

Birth Certificate, 1962
During the fight, her mother threw her birth certificate at her. This is how she found out her real father´s name.

Gosto da relação das imagens com o texto. Também há o lado da religião e nacionalidade, mas isso aparece mais noutros trabalhos.

terça-feira, 6 de Maio de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #17 - martin parr





Da série The Last Resort, New Brighton
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O poema The Fly, de William Blake entrará no espectáculo, em princípio. Gosto da comparação do homem com a mosca. Sobretudo da simplicidade do texto. E é óptimo para acompanhar com qualquer imagem do Foreman.
(Em baixo, um vídeo com o poema dito por um actor, para um projecto chamado iblametv. Bem feitinho.)

William Blake : The Fly

Little fly,
Thy summer’s play
My thoughtless hand
Has brushed away.

Am not I
A fly like thee?
Or art not thou
A man like me?

For I dance
And drink and sing,
Till some blind hand
Shall brush my wing.

If thought is life
And strength and breath,
And the want
Of thought is death,

Then am I
A happy fly,
If I live,
Or if I die.

segunda-feira, 28 de Abril de 2008

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Preciso urgentemente de escolher 3 actores.
3 actores, não. 3 vozes.
Suaves, sexys, sussurrantes e alegres.
Nada que se pareça com voz de locutor de publicidade.
E que consigam falar português, francês e inglês.
Está a ser difícil.

quarta-feira, 23 de Abril de 2008

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Ainda com o indie lisboa à porta, aponto um filme do Guy Maddin que quero ver: Brand Upon the Brain.
Sempre gostei deste realizador. E curiosamente tem muito de Richard Foreman. talvez pelo uso de algum burlesco, pela incursão na memória e pelo ambiente de passado. E este em particular é... um filme mudo.
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Com o indie por Lisboa, lembro-me desta "action musicale" do Week End do Goddard e desta cena em particular. O longo travelling... a conversa à volta de Mozart... os camponeses... o piano...
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Mais uma ária para a banda sonora e também para o texto do espectáculo:

Chi Il Bel Sogno Di Doretta, da ópera La Rondine de Puccini.

terça-feira, 22 de Abril de 2008

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Adereço de cena.

domingo, 20 de Abril de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #16 - rineke dijkstra

Kolobrzeg, Polen 1992, 93,5 x 74,5 cm, Stedelijk Museum Amsterdam

Julie, Den Haag, Netherlands, February 29 1994

Forcados portugueses.
Site oficial.
fotógrafos de quem eu gosto #15 - andreas gursky

99 cent.

Chicago Board of Trade, 1999, 207 x 336.9 cm.
Mais aqui.
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Tenho trabalhado no texto. É um trabalho que não se pode traduzir muito em termos de blog. Escrevo, rescrevo e melhoro. Resultado em breve.

sábado, 12 de Abril de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #14 - sam taylor-wood

Self Portrait in a Single Breasted Suit with Hare

Self Portrait Suspended I

Daneil Craig, na série Crying Men

Pietá

Mais trabalhos e bio.

sexta-feira, 11 de Abril de 2008

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De qualquer forma, algures, aqui ou ali, na banda sonora do espectáculo. Se pietà de me non senti, do Giulio Cesare de Handel.

Se pietà di me non senti,
giusto ciel, io morirò.
Tu da pace a' miei tormenti,
o quest'alma spirerò.

quinta-feira, 10 de Abril de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #13 - jack pierson
O fotógrafo (e não só) Jack Pierson e os outros como auto-retratos.

Self Portrait 27

Self Portrait 25

Self Portrait 17

Self Portrait 5
Mais aqui.
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Depois do desastre, as ideias parece que até ganharam mais clareza. Escrevo os três textos que acompanham o espectáculo com afinco.
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Back in business! The show must go on!

terça-feira, 8 de Abril de 2008

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Formatei de emergência o pc este fim-de-semana. Perdi um texto e imagens para usar no espectáculo. Pode a memória salvar-me deste descuido forçado?
fotógrafos de eu quem gosto #12 - cindy sherman

Unititled Film Still #14, 1978

Untitled Film Still #34
Link oficial.
fotógrafos de quem eu gosto #11 - jeff wall

Picture for Women

Double Self-Portrait

Milk
Mais aqui e aqui.

quinta-feira, 3 de Abril de 2008

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Tenho trocado emails com o Richard Foreman. Depois de me apresentar e lhe explicar o que estou a fazer com o projecto, as primeiras reacções não foram muito entusiasmantes. O senhor até me despachou. Estava ocupado com um trabalho de edição para um outro espectáculo seu. Perguntei-lhe se lhe podia fazer uma série de perguntas relacionadas com o meu espectáculo e com a utilização das suas imagens. Acho que ao ler as perguntas que lhe fiz, o gelo entre nós quebrou-se. Respondeu-me muito contente, cheio de sugestões e sobretudo deixou-me sossegado em relação a alguns assuntos relacionados com a interpretação das imagens. Diz ele que a coisa é mais para ver e saborear e não tanto para arranjar um significado. Concordo.

segunda-feira, 31 de Março de 2008

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De um lado, as imagens escolhidas para usar no espectáculo. (Para não estragar a surpresa ficam assim... desfocadas). Do outro lado, estrutura do texto que estou a escrever para o espectáculo.

Agora é mergulhar no texto.
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O Mark Rothko é um dos meus pintores abstractos preferidos. Gosto da aparente e falsa calma das suas pinturas, da perturbação que nos prende, do tremor sem uso de figuras.

The fact that people break down and cry when confronted with my pictures shows that I can communicate those basic human emotions.. the people who weep before my pictures are having the same religious experience I had when painting them. And if you say you are moved only by their color relationships then you miss the point., Mark Rothko

Como neste momento estou a trabalhar com imagens cheias de pessoas, sentido de marcação e composição, é impossível ficar indiferente ao efeito produzido pelo oposto.

sábado, 29 de Março de 2008

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Pegando balanço do post anterior, tirei uma foto a mim mesmo há pouco. Já decidi quais imagens usar no espectáculo e alinhei-as minha parede. De certa maneira é como se fossem uma exposição. Agora preciso de escolher a sequência, a sua relação com o som que também estou a trabalhar e aquilo que está dentro e fora dessas imagens em termos de texto.
Sentei-me com a câmara ao lado e olhei durante muito tempo. Fui disparando a máquina de vez em quando, esperando apanhar um momento ocasional. Olho, penso, avalio, decido, ponho de fora, tenho dúvidas. Engraçado também nesta foto - neste...auto-retrato - é o fundo. Atrás de mim estão parte das prateleiras de cds (o som está a tornar-se importantíssimo na elaboração do espectáculo), a um canto há uma fotografia do Monty e da Liz (que nada têm a ver com isto) e ainda se vê parte da minha mesa de trabalho (atafulhada de livros, papéis e demais referências).
fotógrafos de quem eu gosto #10 - thomas struth
Gosto muito das fotos do Thomas Stuth. Ele apanha a relação dos públicos dos grandes museus com as obras dispostas. As reações, o ambiente, as poses. Em baixo algumas das suas fotografias.

Louvre

Museo del Prado 3, Madrid

Hermitage
Mais Thomas Struth.

quarta-feira, 26 de Março de 2008

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Neste momento do processo da criação do espectáculo estou a passar para a segunda fase de selecção das imagens dos vídeos filmados pelo Richard Foreman e que vou usar no meu espectáculo. Tenho a parede cheia com quase 20 imagens que escolhi. Que me despertaram qualquer coisa. A fase seguinte é chegar às 7-10 imagens e a partir daí seguir para a frente.

São stills dos vídeos que eu transformei em fotografias.

terça-feira, 25 de Março de 2008

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"Art is the enemy of the routine, the mechanical and the humdrum. It stops us in our tracks with a high voltage jolt of disturbance; it reminds us of what humanity can do beyond the daily grind. It takes us places we had never dreamed of going."
The Power of Art, de Simon Schama é um documentário (na verdade 8 documentários) sobre figuras do mundo das artes, de Caravaggio a Rothko. Sobre a influência da vida particular nas suas obras-primas. Sobre o esgoto, as ruas, a pobreza, a fome para jantar, o sangue, o suor, a orelha do holandês e a pressão dos mecenas. É o feio fora do bonito da arte. As explicações de Simon Schama vão para além do óbvio e são ilustradas com pedaços dramatizados. Vale mesmo a pena.
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Porque ando viciado nas imagens dos vídeos do Richard Foreman, vejo coincidências em todo o lado. Ainda há pouco, em visita por um blog de cinema, revi alguns stills do West Side Story e lembrei-me de uma imagem que muito possivelmente vou usar no espectáculo. A ligação até foi mais porque os actores também estão alinhados só de um lado. Mas é tudo por reacção. Por impulso. Depois afasto-me da coincidência. Uma imagem é exterior, outra interior. Dia, noite. Numa dança-se, noutra reza-se. Nada a ver uma com a outra. Ou talvez, inconscientemente, sim. Tudo a ver.

West Side Story

Imagem de um dos vídeos do Foreman, grupo da Alemanha, acho.

segunda-feira, 24 de Março de 2008

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O próximo passo é reorganizar a escrita. Tenho muitos textos soltos que escrevi sobre arte, sobre as imagens que escolhi e sobre múltiplos assuntos ligados ao teatro. Consigo antever que os textos deverão ser usados na sua maioria no espectáculo. E que serão divididos em 3 blocos que os unem.
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Andy Warhol and Members of The Factory, New York City, October 30, 1969 by Richard Avedon

Alguns membros da Factory de Andy Warhol dispostos numa composição a preto e branco. É engraçado como ainda assim há pormenores que realçam as suas personalidades. Por exemplo, as estrelas mais "sexuais" estão despidas (Joe Dalessandro e Candy Darling); o realizador Paul Morrissey aparece por detrás de uma das suas estrelas e Andy surge quase a sair do enquadramento, numa atitude de domínio completo discretamente assumido.

terça-feira, 18 de Março de 2008

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Em Nova Iorque, o encenador Richard Foreman - criador deste The Bridge Project onde se insere o espectáculo que estou actualmente a conceber - fez mais uma encenação onde aproveita imagens das suas filmagens no Japão e Inglaterra. O espectáculo chama-se DEEP TRANCE BEHAVIOR IN POTATOLAND. Fotos e sinopse em baixo.


Richard Foreman's latest production uses digital material filmed in Japan and England and takes place on a stage in New York in which everything is askew - the windows, the walls (covered with turn of the century spirit photographs) and the furniture, which includes two pianos. Even the large screens on which images are projected are off kilter. Within this setting, the mind is asked to jump from world to world, Japan to England, filmed world to live stage world.

Plunging deeper than ever into ravishing abstract theater, Richard Foreman evokes the atmosphere of a séance, combining the tableaus filmed in Japan and England with five live New York actors who navigate a sinking grand piano.

segunda-feira, 17 de Março de 2008

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Dolce & Gabbana original

Dolce & Gabbana se Richard Foreman fosse publicitário
fotógrafos de quem eu gosto #9 - pierre & gilles



Site oficial

sexta-feira, 14 de Março de 2008

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Anedota velhinha ouvida novamente há pouco numa peça de teatro:
No Museu Nacional de Moscovo, havia um quadro exposto cujo título era "Lénine em Varsóvia".
As únicas personagens retratadas neste quadro, eram a mulher de Lénine deitada ao lado de um jovem.
Os visitantes aproximavam-se do quadro e liam o título da obra sem sequer se interrogarem sobre o seu significado.
Certo dia, um visitante mais curioso exclama para o guia:
- Não compreendo! Este quadro chama-se "Lénine em Varsóvia", mas no entanto ele não aparece retratado. Onde está Lénine?
O guia responde:
- Então, Lénine em Varsóvia!

É uma anedota estúpida mas que de maneira igualmente tonta levanta o problema da interpretação do que se vê. Ou, neste caso, da presença da ausência.

quinta-feira, 13 de Março de 2008

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Art takes time. To spend an hour looking at a painting is difficult. The public gallery experience is one that encourages art at a trot. There are the paintings, the marvellous speaking works, definite, independent, each with a Self it would be impossible to ignore, if...if..., it were possible to see it. I do not only mean the crowds and the guards and the low lights and the ropes, which make me think of freak shows, I mean the thick curtain of irrelevances that screens the painting from the viewer.

segunda-feira, 10 de Março de 2008

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Mesa de trabalho. Livros, livros, livros, revistas, artigos tirados da net, cds. Work in progress.
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O meu painel de trabalho está ligeiramente diferente. Mais notas, começos de textos, mais imagens e referências para o espectáculo. É o sítio para onde mais olho. Ás vezes fico a olhar para a parede durante quase 10 minutos antes de começar a trabalhar. É como se estivesse a olhar para dentro da minha cabeça.

domingo, 9 de Março de 2008

fotógrafos de quem eu gosto #8 - vanessa beecroft



Não sendo exclusivamente fotógrafa, Vanessa Beecroft documenta as suas performances e aí sim, a fotografia entra.
Vanessa Beecroft oficial

quinta-feira, 6 de Março de 2008

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Some people are bullfighters, some people are politicians. I'm a photographer.
Blow-Up, directed by Michelangelo Antonioni

quarta-feira, 5 de Março de 2008

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Notas de hoje apontadas nas costas de uma factura:
Como tornar um espectáculo numa exposição?
Como tornar uma exposição num espectáculo?
Meio-termo.
Nem uma, nem outra.
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Art takes time. To spend an hour looking at a painting is difficult. The public gallery experience is one that encourages art at a trot. There are the paintings, the marvellous speaking works, definite, independent, each with a Self it would be impossible to ignore, if...if..., it were possible to see it. I do not only mean the crowds and the guards and the low lights and the ropes, which make me think of freak shows, I mean the thick curtain of irrelevances that screens the painting from the viewer. Increasingly, galleries have a habit of saying when they acquired a painting and how much it cost...

Millions! The viewer does not see the colours on the canvas, he sees the colour of the money.

Is the painting famous? Yes! Think of all the people who have carefully spared one minute of their lives to stand in front of it.

Is the painting Authority? Does the guide-book tell us that it is part of The Canon? If Yes, then half of the viewers will admire it on principle, while the other half will dismiss it on principle.

Who painted it? What do we know about his/her sexual practices and have we seen anything about them on the television? If not, the museum will likely have a video full of schoolboy facts and tabloid gossip.

Jeanette Winterson in Art Objects

terça-feira, 4 de Março de 2008

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Aqui estão algumas das imagens dos filmes do Richard Foreman pelas quais eu sinto que tenho algum caminho para percorrer e material de trabalho. São muitas horas de improvisações gravadas e é preciso estar atento ao clic, à surpresa e ao assombramento de uma ou outra imagem. Por agora, estas já estão no meu top.


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I walk on, once again, down these corridors, through these halls, these galleries, in this structure of another century, this enormous, luxurious, baroque, lugubrious hotel, where corridors succeed endless corridors--silent deserted corridors overloaded with a dim, cold ornamentation of woodwork, stucco, moldings, marble, black mirrors, dark paintings, columns, heavy hangings, sculptured door frames, series of doorways, galleries, transverse corridors that open in turn on empty salons, rooms overloaded with an ornamentation from another century, silent halls ...
L'Année Dernière à Marienbad, Alain Resnais, 1961. Um filme onde a composição mistura a mise-en-scène do teatro com o enquadramento do cinema.

sexta-feira, 29 de Fevereiro de 2008

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Bill VIOLA The Quintet of the Astonished 2000, video rear projection on wall-mounted screen, artist’s proof, collection of the artist, © Bill Viola, photograph: Kira Perov

The Quintet of the Astonished, was commissioned by the National Gallery, London, and was inspired by Hieronymus Bosch’s painting of a quartet of executioners surrounding Christ.

Shot on high-speed film, permitting the action to be slowed drastically when played back, the video is an intense tableau of shifting and momentary emotions. The relationships between the figures were unplanned and exist in varying intensities over the work’s duration.
Mais sobre The Passions de Bill Viola aqui.
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A Adoração dos Reis Magos. Três diferentes tempos. Três composições diferentes.

Botticelli

Brueghel

Fra Angelico
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Cecil Beaton, Dior group photo
Há qualquer coisa de Richard Foreman nesta foto de uma das colecções da casa Dior. Sem a produção artística de uma revista, a foto é simples e as modelos estão enquadradas o suficiente para compor um quadro que pode ser quase artístico, sem toques publicitários. O sentido de composição é uma ideia presente desde o princípio deste projecto.

quinta-feira, 28 de Fevereiro de 2008

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Notas apontadas num papel:
- Se cada espectador interpretada de maneira diferente as imagens que lhe são apresentadas, o que posso então eu acrescentar a isso?
- Brincar com a zona entre a interpretação pessoal e a manipulação exterior.
- Cada fotografia será o começo de cada parte do espectáculo.
- O espectador guia-se a si próprio ou é guiado?
fotógrafos de quem eu gosto #7 - mario testino


Das produções de moda, aos anúncios publicitários, mas sobretudo quando entra na privacidade das celebridades (de Diana a Madonna) e as fotografa com humor ou graça, Mário Testino fica sempre bem.

mariotestino.com

terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008

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Um artigo curioso do Guardian sobre o uso de audioguides nas exposições da Tate Modern. Se por um lado há quem se sinta privilegiado por ter toda a informação sobre as peças, também há quem ache que isso limita a visita, preferindo ir reagindo sozinho ao que se vê, sem um apoio audio. Opiniões sobre esta questão bem-vindos na respectiva caixa de comentários.
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Curso Básico de Semiologia segundo Barthes
Semiotics, Semiosis, Semiology: The noun form of the study of signs and signification, the process of attaching signifieds to signifiers, the study of signs and signifying systems.

Signs
* Symbol: Stands in place of an object - flags, the crucifix, bathroom door signs.
* Index: Points to something - an indicator, such as words like "big" and arrows.
* Icon: A representation of an object that produces a mental image of the object represented. For example, a picture of a tree evokes the same mental image regardless of language. The picture of a tree conjures up "tree" in the brain.

Signifier: Is in some ways a substitute. Words, both oral and written, are signifiers. The brain then exchanges the signifier for a working definition. The word "tree", for example, is a signifier. You can't make a log cabin out of the word "tree." You could, however, make a log cabin out of what the brain substitutes for the input "tree" which would be some type of signified.

Signified: What the signifier refers to (see signifier). There are two types of signifieds:
* Connotative: Points to the signified but has a deeper meaning. An example provided by Barthes is "Tree" = luxuriant green, shady, etc...
* Denotative: What the signified actually is, quite like a definition, but in brain language.

Slippage: When meaning moves due to a signifier calling on multiple signifieds. Also known as "skidding."

Discourse: Messages that serve a communicative function and are usually more complex than simple signs.

Mythic Signs: Messages that "go without saying" that reinforce the dominant values of their culture. These messages don't raise questions or inspire critical thinking.

Denotative system: A signifier, signified, and sign that together form a meaning

Taxonomy: A kind of structural analysis where features of a semiotic system are classified.

segunda-feira, 25 de Fevereiro de 2008

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Boas notícias hoje. A Galeria Appleton Square será o palco deste espectáculo. Já há datas: 14 a 21 de Junho.
fotógrafos de quem eu gosto #6 - o pessoal da magnum nas filmagens de the misfits

Fotografia de Elliott Erwitt

Fotografia de Bruce Davidson

Fotografia de Eve Arnold

domingo, 24 de Fevereiro de 2008

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Banket van de officieren van de Sint-Joris-Doelen de Frans Hals na parede do restaurante Le Holandais no filme The Cook, The Thief, His Wife & Her Lover. Arte, poder e comida.
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The Cook, The Thief, His Wife & Her Lover de Peter Greenaway
Albert: What you've got to realize is that the clever cook puts unlikely things together, like duck and orange, like pineapple and ham. It's called 'artistry'. You know, I am an artist the way I combine my business and my pleasure: Money's my business, eating's my pleasure and Georgie's my pleasure, too, though in a more private kind of way than stuffing the mouth and feeding the sewers, though the pleasures are related because the naughty bits and the dirty bits are so close together that it just goes to show how eating and sex are related. Georgie's naughty bits are nicely related, aren't they, Georgie?








sábado, 23 de Fevereiro de 2008

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Pode ser que sim.

quinta-feira, 21 de Fevereiro de 2008

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Para além das imagens. Primeiros momentos de Passion, de Jean-Luc Godard com a Isabelle Huppert.
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No filme Passion, de Jean-Luc Godard, o quadro The Entry of the Crusaders into Constantinople de Delacroix, tal como mais alguns, aparecem remontados - e porque não, encenados - pela cabeça do realizador. O Nightwatch, por exemplo, lida muito mais com problemas de luz e colocação dos personagens.

Mas o quadro de Delacroix vai surgindo no ecrã, montando-se a si mesmo à medida que a camara anda pelo plateau.
(Em baixo o original de Delacroix, seguido da versão de Jean-Luc Godard.)


Retenho as ideias de composição de um quadro com corpos a três dimensões. Ideias de personalização. Pintura cerebral. Montagem feita na cabeça.
fotógrafos de quem eu gosto #5 - nan goldin

Jimmy Paulette Taboo! In the bathroom

Self
Mais aqui.
fotógrafos de quem eu gosto #4 - erwin wurm

Serie Instructions on how to be politically incorrect looking for a bomb 3

Serie Instructions on how to be politically incorrect looking for a bomb 2
Mais aqui.
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Reunião em galeria de renome.
Hipóteses de fazer o espectáculo lá bem prováveis.
Pequenas coisas por acertar.
É difícil ter sala para fazer um espectáculo.
Mais difícil é convencer uma galeria de arte a aceitar um espectáculo.
O lado menos convencional e mais performativo parece ter sido o forte.
Respostas definitivas em breve.
E boas, assim espero.

quarta-feira, 20 de Fevereiro de 2008

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A pergunta não é nova mas é recorrente durante estes primeiros tempos de trabalho: que texto se adiciona a imagens que já falam por si mesmas? Tudo o mais será ilustrativo? Uma adição desnecessária? Uma linha paralela de interpretação?
(Na imagem, still de uma das filmagens de Foreman, na Alemanha, acho.)
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Apontado algures no meu caderno de notas:
wonder and anxiety
everyday life and theatricality
fotógrafos de quem eu gosto #3 - gregory crewdson

Untitled, da série Beneath the Roses (2003-2005)
Gosto muito das fotografias do Gregory Crewdson. Sempre muito encenadas, mais parecem cenas de um filme. Sempre passadas à noite, nada está fora do sítio. Aliás, tudo está estranhamente dentro dele. As personagens (muitas vezes actores que conhecemos de filmes verdadeiros) parecem distantes, intimados ou possuídos. O que se passa dentro destas casas de subúrbio? Para onde olham? Para onde vão quase sempre a meio da noite? O que fizeram? Quem é esta gente?

Diz ele: I’ve always been interested in the uncanny, in looking into ordinary situations and finding something fantastical or mysterious. I’ve always been interested in domesticity; I’ve always been interested in photographic beauty; and I’ve always been interested in a kind of realism.
Mais fotos aqui.

terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

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Processo anotado no meu caderno de notas:
Ver as filmagens de cada cidade como FILMES.
Procurar IMAGENS e tratá-las como FOTOGRAFIAS.
Perceber essas FOTOGRAFIAS como HISTÓRIAS.
Ir para além da IMAGEM estática.
FILME MENTAL.
Acrescentar TEXTO e SOM.
Cinema mais teatro mais fotografia mais AUDIO.
FILME + FOTOGRAFIA = HISTóRIA
História(s) do Teatro.

segunda-feira, 18 de Fevereiro de 2008

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Material de trabalho. Pilhas de dvds como base de trabalho. Improvisações filmadas pelo mundo, por um dos maiores encenadores do mundo. O teatro e o cinema cruzados pelas artes plásticas. Horas de visionamento para escolher as imagens ideias. Horas até surgir a reacção. Horas até à surpresa.
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Cá está um exemplo. O vídeo aqui mostrado é um excerto das improvisações filmadas pelo Richard Foreman, desta vez no Japão. Olho para estes filmes todos e tento perceber, ou criar, um sentido. Como faço para, a partir daqui, criar um outro objecto?
Esperam-me ainda muitas horas de visionamentos de dvds.

domingo, 17 de Fevereiro de 2008

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Estas são duas imagens que tirei de dois dos dvds com as improvisações feitas com o Foreman. Nos filmes, as cenas são longas. As poses e a cuidada encenação dentro do enquadramento pouco mais diz. O que aqui se vê não conta tudo o que o resto do filme conta. Mas podem contar algo mais enquanto imagem parada. Podem ser um ponto de viragem (viagem?) para outra coisa.
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Em cima, a longa cena do Dressed to Kill do Brian de Palma passada no Museu e levada depois para o táxi. É assumida a homenagem a uma cena similar no Vertigo - A Mulher que Viveu Duas Vezes do Hitchcock.

Ambas as cenas levarão as personagens femininas à morte.
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Algumas notas que deixei hoje no meu caderno a propósito da visita guiada por Andrew Renton à sua exposição Come, come, come into my world, na Ellipse Foundation.
- o desinteresse por algumas peças fez com que eu olhasse muitas vezes para os sapatos dos presentes
- a presença da ausência (bah, cliché)
- o processo como criação (bah, cliché)
- o acidente
- a relação dos objectos expostos, uns com os outros
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The Thomas Crown Affair. Uma das cenas finais de um filme sobre arte e dinheiro, para rever sempre.
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Tenho feito sessões de algumas horas a ver os dvds com as horas de filmagem em bruto. Vários actores de nacionalidades. Coisas sem sentido. Improvisações. Algumas imagens ficam-me na cabeça.
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While a painting or a prose description can never be other than a narrowly selective interpretation, a photograph can be treated as a narrowly selective transparency. But despite the presumption of veracity that gives all photographs authority, interest, seductiveness, the work that photographers do is no generic exception to the usually shady commerce between art and truth.
Susan Sontag, in On Photography
fotógrafos de quem eu gosto #2 - terry richardson

Amy and Blake

Campanha Gucci
terryrichardson.com
fotógrafos de quem eu gosto #1 - wolfgang tillmans

Capa Tiga

Like praying, I and II
Mais aqui
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Adenda ao post anterior. Eu, na verdade, já sei o que vou fazer. Não querendo estragar a surpresa e tentado revelar o suficiente para deixar no ar o interesse em ir depois ao espectáculo, a minha ideia é simples: escolher partes das horas de filmagem, focar em imagens, isolá-las e torná-las em fotografias de galeria. Separar a imagem da palavra. Adicionar palavras novas e sons inesperados. O espectador e a visita guiada. Ir ao teatro como quem vai a uma exposição. Ou ir a uma exposição como quem vai ao teatro.
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Há algumas semanas que a pergunta se põe: o que vou eu fazer com o material filmado pelo Richard Foreman? São quadros vivos. Horas de filmagem - muito do tempo é passado em poses rompidas com uma ou outra palavra. São quadros vivos, actores com marcações muito estudadas. A maioria olha para a câmara. O material é mesmo bruto. Bruto. E isso é bom. E mau também. Que fazer? Todas as hipóteses em cima da mesa.

sexta-feira, 15 de Fevereiro de 2008

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Começar. A parede está vazia. O meu painel de trabalho tem já algum planeamento e notas afixadas. O espectáculo começa a ser criado. Tenho o meu caderno de notas cheio. Mas gosto sempre de ter estes mapas mentais para me orientar. Fazem companhia às minhas notas, um postal com a Joan Collins, outro com a Veronica Lake, outro de Amesterdão e pequenas notas e post-hits. Vamos a isto.